domingo, 12 de junho de 2011

Terra de sombras.

‘’Sou sugada para dentro de um buraco negro, meus membros descontrolados, incapazes de parar ou desacelerar. Em queda livre na escuridão, o único som que ouço é meu terrível grito agudo. E quando tenho certeza de que a queda não tem fim... ela acaba. O grito. A queda. Tudo aquilo. Tudo. Deixando-me ali parada. Solta. Suspensa. Completamente sozinha neste lugar solitário sem começo nem fim. Perdida num abismo escuro, sem sinal de entrada de luz. Abandonada no vazio infinito, um mundo perdido e solitário onde é sempre meia-noite. A percepção terrível chega lentamente a mim: É aqui que vivo agora. Um inferno sem saída.
Tento correr, berrar, gritar por ajuda. Mas não adianta. Estou congelada, paralisada, incapaz de falar. Completamente sozinha por toda a eternidade.
Propositalmente separada de tudo o que conheço e amo... desligada de tudo que existe. Sei que não tenho alternativa senão me render enquanto minha mente se apaga e meu corpo enfraquece.
            É inútil lutar quando ninguém pode me salvar.
            Fico assim, solitária, eterna, com uma consciência sombria rastejando sobre mim e me puxando de um lugar fora do meu alcance... ‘’

                                                          Página: 48 e 49. 

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