domingo, 16 de setembro de 2012
Queria matar meu narrador nesses 90% de água que constituem meu corpo.
Dizer pra você que deixei de ser maluca, neurótica, descontrolada e insegura.
Fazer parte do seu mundo, da sua liberdade, da sua forma de amar.
Não me importar com quem chegará depois de eu ir embora, quando eu chegar em casa suada, com seu cheiro impregnado na minha roupa e a vontade enorme de voltar atrás, viver cada segundo novamente, beijar cada parte do seu corpo e ouvir ecoar pelo quarto um sussurro abafado "quero você, sempre".
Quero não me importar se outras pessoas também gostarem de se esconder em seu pescoço, de morder seus lábios e te tirar o fôlego.
Mas eu me importo.
Mesmo achando lindo multiplicar amor, eu me importo. Sinto muito em ser tão egoísta, mas não quero dividir.
Não quero que outras descubram o lugar inusitado onde você sente mais cócegas ou prazer, ou que sejam tão apaixonada pelo teu sorriso quanto eu. Não quero que elas recebam o abraço mais confortável do mundo, o beijo mais carinhoso ou que deitem de conchinha com você na cama pra falar dos sonhos, do futuro.
E diante dos seus olhos suplicantes, eu fui embora.
Subi no ônibus e voltei pra minha realidade, pro meu maldito narrador, pro meu descontrolável mundo imaginário.
Ainda que eu reze pra ser a menina dos teus sonhos, eu não quero mudar quem eu sou.
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