quinta-feira, 14 de março de 2013

10 segundos de coragem, é isso. São só 10 segundos. Ele está se aproximando e você tem 10 segundos pra coragem. Míseros 10 segundos que agora parecem tão difíceis e impossíveis. 10 segundos pra voltar a ser a garota que um dia já fui, aquela que dizia que 10 segundos era pouco demais... que preferia uma vida inteira de coragem.
Mas você chegou... chegou e nem deu tempo de eu limpar as lágrimas, de colocar o fone e fingir que estava em outro planeta. Levantei a cabeça e seus olhos suplicantes estavam concentrados em mim.
Aqui vai... não se esqueça, 10 segundos. De repente foi.
"Precisamos conversar". Claro que precisamos, sempre precisamos.
Atropelei as palavras, engoli as lágrimas, fui rápida, seca e sincera. Mas fui.
Você enrolou, não acreditou, desmentiu, suplicou. Aplicou o golpe baixo quando usou o olhar que sempre me faz ficar.
Eu segurei o coração, fechei os olhos que já estavam ardendo querendo explodir em lágrimas, controlei meus braços que queriam desesperadamente abrigar você.
Você me olhou puto. E eu já não queria mais que você fosse embora.
A fraqueza foi maior. Maldita canceriana que não sabe agir com a cabeça... que tem o coração maior que si mesma.
Quis jogar toda minha mágoa fora, quis esquecer que o nosso relacionamento já não estava mais me fazendo bem. E fiz. Foi assim que usei meus 10 segundos de coragem. Pra esquecer que o mundo é injusto, que as pessoas são injustas, que você é injusto. Usei pra esquecer que você não sente o mesmo que eu, e que quando a gente ama uma pessoa mais do que ela merece, a gente sofre mais do que a gente merece.
Larguei a mim mesma e que se dane. Mas só dessa vez. É a última vez.
Fique. Fique e reclame das minhas reclamações. Fique e me odeie por eu ter distimia e não saber lidar com o que eu sinto.
Segure meu rosto de novo e tente me convencer de que vai ficar tudo bem. Repita "não" todas as vezes em que eu falar que você não me ama. Repita com aquele tom de imploração que faz meu coração derreter.
Fique. Ponha a mochila no colo e a cabeça no meu ombro. Fale mal dos meus amigos, das minhas crises e dos meus exageros. Pode ficar na minha cama, eu lhe empresto meu cobertor, eu te aqueço com minha pele, meus lábios, meus abraços. Pode sentir frio, fome, sede... mas não sinta vontade de ir embora.
Sinta vontade apenas de mim. Sinta fome de mim.
Eu não conseguirei dormir se não estiver de conchinha com você, se não estiver protegida em teus braços. Eu sei que você quer essa paz... eu quero também. Deite, olhe pro teto e viaje nos pensamentos... me deixe curiosa tentando adivinhar em que você está pensando. E se por acaso - o acaso mais lindo de todos - você está pensando em mim.
Quando felizes o mundo é lindo, fácil, mágico. Em momentos como esse, tudo se torna tão fúnebre que meus passos ficam cansados. Mas nós aprendemos a melhorar. Sabemos beijar, xingar, perturbar, acarinhar, abraçar... amaciar a vida. Eu já não sei mais o que fazer... então fique.
Eu sei, embora não queira admitir, que eu sei ficar sem você. Mas a vida é boa demais assim, quando estamos agarrados feito siameses, sorrindo tanto por ser um casal tão estranho, que começo a acreditar que a vida só passou a fazer sentido depois do dia trinta de março do ano passado.
Nós nos amamos. É isso. Ou algo além disso. Nós dividimos a garrafa de mojito. Nós andamos com os dedos entrelaçados. Nós sorrimos quando de repente toca "equalize". Nós rimos juntos e nos apertamos mesmo estando numa cama de casal. Isso é amor, você sabe. Então fique. Sabe que nenhuma delas lhe fará feliz assim... então fique e resolvemos isso agora.
Cientistas passam meses inteiros acordados procurando a cura do câncer. Por que a gente não pode passar a noite juntos e solucionar nossas doenças? Fique.

Nenhum comentário:

Postar um comentário